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início / quem somos / história |
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História da ABRALIC
No verão europeu de 1985, Paris foi sede do XI Congresso da Associação Internacional de Literatura Comparada. As salas da antiga Sorbonne foram escassas para o número de participantes. Nelas circularam especialistas vindos de todos os lugares e era possível encontrar figuras chaves na história do comparatismo. Para os jovens estudiosos, principalmente aqueles oriundos de países como o Brasil, a participação no Congresso da
AILC/ICLA significou integrarem-se em um universo de debates onde cruzavam-se línguas, culturas e diversas vertentes metodológicas.
Naquele agosto de 1985, na Place de la Sorbonne, os brasileiros presentes decidiram criar a Associação Brasileira de Literatura Comparada. Assim, a ABRALIC surgiu em 1986, em Porto Alegre, no âmbito do I Seminário Latino-americano de Literatura Comparada, realizado de 8 a 10 de setembro na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com a participação de comparatistas europeus e latino-americanos. A imagem reproduzida no cartaz, nos folders e, depois, nos Anais, era expressiva: o fragmento da cena canibalesca que emoldura a reedição fac-similada da Revista de Antropofagia em suas "dentições" de 1928 e 1929. A Antropofagia foi então o emblema, por sua radicalidade estética e enquanto proposta de reinterpretação cultural do país.
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Já no I Congresso da ABRALIC, Antonio Candido definiu de forma exemplar o sentido da Associação, ao caracterizá-la como uma "entidade que representa uma fase nova da disciplina em nosso meio. [...] Penso que a Associação Brasileira de Literatura Comparada, ABRALIC, encerra o período que começou pelas manifestações espontâneas, passou mais tarde à prática individualizada, antes de alcançar o reconhecimento institucional. [...] Mas faltava algo importante, e eu diria decisivo: a consciência profissional específica, que se adquire e fortalece sobretudo pelo intercâmbio, os periódicos especializados e a vida associativa, marcada por encontros, simpósios e congressos. Foi o que começou com a ABRALIC."
O I Congresso, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre 1o e 4 de junho de 1988, sob a presidência de Tânia Franco Carvalhal, teve como tema Intertextualidade e Interdisciplinaridade. A riqueza das abordagens e a presença de comparatistas portugueses, franceses, norte-americanos, alemães, italianos, canadenses, belgas e espanhóis firmaram a ABRALIC como ponto de referência obrigatório na cartografia comparatista.
Sob a presidência de Eneida Maria de Souza, realizou-se o II Congresso da ABRALIC, em Belo Horizonte, entre 8 e 10 de agosto de 1990, com o tema Literatura e Memória Cultural. Coube à segunda Diretoria da ABRALIC transformar o Boletim inicial, intitulado Contraponto, em uma revista brasileira de literatura comparada, que tem hoje quatro números editados. Em 1990 a ABRALIC já se transformara na associação de estudiosos de literatura numericamente mais expressiva no Brasil.
O III Congresso, realizado de 10 a 12 de agosto de 1992, na Universidade Federal Fluminense, Niterói-RJ, sob a presidência de Silviano Santiago, escolheu como temática Limites. A Nota Prévia ao primeiro dos dois volumes dos Anais explica-a: "na produção teórica e analítica dos companheiros de letras, estão temas que caminham tanto para a interdisciplinaridade quanto para a intertextualidade, e, ainda, para uma possível intercomunicação entre os vários discursos artísticos." A terceira Diretoria da ABRALIC realizou também três eventos de pequeno porte em 1991. De um deles, organizado em Florianópolis por Raúl Antelo, resultou o volume Identidade e Representação, publicado em 1994.
O IV Congresso da ABRALIC ocorreu na Universidade de São Paulo, entre 31 de julho e 3 de agosto de 1994, sob a presidência de Benjamin Abdalla Júnior. O tema escolhido foi Literatura e Diferença. Na Apresentação dos Anais, ressaltam-se, no conjunto das exposições, "trabalhos em que a circulação literária foi pesquisada e estudada com ênfase no descentramento de óptica, de forma a se analisar, com os pés na periferia, as imbricações entre o regional e o nacional, entre o nacional e o supranacional e entre a série literária e as demais séries culturais.
A ABRALIC, sob a presidência de Eduardo de Faria Coutinho, realizou o V Congresso com o tema Cânones e Contextos, entre 31 de julho a 3 de agosto de 1996 na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Da diversidade de trabalhos apresentados, delineou-se, nessa oportunidade, o debate entre duas vertentes de abordagem dentro do campo comparatista no Brasil: a centralidade da própria literatura nos estudos contemporâneos e a abertura para enfoques culturais.
Sob a presidência de Raúl Antelo, foi organizado o VI Congresso da ABRALIC em Florianópolis, entre 19 e 22 de agosto de 1998, explicitamente destinado a ampliar e aprofundar a discussão iniciada em 1996, como bem indicava a temática: Literatura Comparada = Estudos Culturais? Sua chamada de trabalhos foi instigante: "Ao avaliar as abordagens horizontais (de texto a texto) como práticas ultrapassadas, na medida em que percebe a tendência inegável dos estudos literários na direção das abordagens verticais (que vinculam o local e global), a ABRALIC propõe que se questionem hierarquias e mediações, acumulações diferenciais de poder e prestígio, linguagens e valores." A afluência espontânea de pesquisadores de todas as partes do continente atestou, nesse VI Congresso, que a ABRALIC é atualmente a principal entidade da América Latina em sua área.
Tendo como tema Terras & Gentes, no período de 25 a 28 de julho de 2000, em Salvador, realizou-se o VII Congresso da ABRALIC, sob a presidência de Evelina Hoisel. No contexto das comemorações dos 500 anos do Brasil e envolvendo cerca de 900 participantes, o VII Congresso possibilitou uma reflexão dissonante e desconstrutora, aliada a um fértil debate sobre nação, viagens, trânsitos, culturas, identidades, globalização, diásporas, transnacionalidades, distopias, raças, gêneros e etnias.
MEDIAÇÕES foi o tema do VIII Congresso Internacional da Abralic, realizado no período de 23 a 26 de julho de 2002, no campus Pampulha da UFMG, em Belo Horizonte. Sob a presidência de Reinaldo Marques, o congresso tratou do papel de diferentes instâncias de mediação nos processos de construção de valores na cultura e na arte, em geral, e na literatura, em particular. Tomando-se as mediações como lugares de produção de valores, procurou-se refletir sobre a ação de diversos mediadores culturais nos processos de avaliação crítica, envolvendo a participação de múltiplas instâncias - territórios, redes, mercado, políticas, agentes.
Fonte: Adaptado de Tania Franco Carvalhal, "Dez Anos da ABRALIC (1986-1996): Elementos para Sua História". Organon (UFRGS), Vol.10, No. 24, 1996. |
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